ONG oferece atendimento psicológico e jurídico ao público idoso LGBTQIA+

A Etenamente Sou chegou em Florianópolis em agosto e agora esta presente em três capitais.

Nas últimas décadas, a expectativa de vida do brasileiro aumentou. Em 2000, vivia-se em média 70 anos. Já em 2020 é possível chegar até os 77. Ao mesmo tempo, envelhecer mais não significa envelhecer bem, sobretudo no Brasil. Envelhecer, apesar de natural, é um grande desafio. Para muitos, ser idoso significa perda de vigor e de parte da capacidade funcional.

Se você for uma pessoa LGBT50+ (com mais de 50 anos), esse desafio acaba sendo maior, especialmente se a gente pensar em políticas públicas específicas. Questões como preconceito, auto aceitação, relações familiares e solidão são assuntos recorrentes. Pensando nisso, foi fundada em 2017, a ONG Eternamente Sou, o primeiro centro de referência e convivência LGBT50 + no Brasil. 

O principal objetivo é proporcionar a inclusão social, estimulando o protagonismo e proporcionando velhice digna e ativa a esta população. Sem fins lucrativos, a iniciativa conta com trabalho de voluntários e oferece atendimentos gratuitos de psicólogos, consultorias jurídicas, oficinas, além da conscientização de empresas e produção de eventos que favoreçam a construção de políticas públicas.

Já atuante em São Paulo e no Rio de Janeiro, a ONG chegou à Florianópolis no final do mês de agosto, ampliando seu atendimento para três capitais. A escolha do local se deu pela experiência de atuação que possui em relação ao idoso. Em 2017, Floripa foi considerada, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Urbano para Longevidade (IDL), a segunda melhor cidade do país para se viver após os 60 anos. 

De acordo com Celso Rabetti, coordenador do centro em Santa Catarina, essa expansão possui grande potencial. “Temos a referência de Florianópolis como uma cidade do idoso. Voltada a questões de prevenção e saúde. No entanto, ainda não existe aqui um trabalho específico para a população LGBT50+,” diz ele. 

A organização já atendeu mais de 400 idosos em seus três anos de atuação e, de acordo com Celso, já foi iniciado um trabalho de mapeamento da região. “Onde estão essas pessoas? De que forma eles estão se socializando? Estão tendo seus direitos garantidos? Existe toda uma discussão, inclusive dentro da OAB de Santa Catarina a respeito do tema”.

O Brasil ainda lidera o ranking de assassinatos de travestis e transexuais e essa realidade de exclusão também se reflete no envelhecimento. Quando questionado sobre qual parte da comunidade ainda carece de mais assistência, Celso confirma que a letra T, dentre todas as outras, ainda é a com menor acolhimento. “Dentro desse nosso guarda chuva, também existe muito preconceito em relação ao universo trans. Temos uma participação relativamente pequena dessas pessoas, muito ainda em função da invisibilidade”, conclui.

Com pouco mais de um mês de atuação na capital catarinense, Celso se diz positivamente surpreso com a adesão de voluntários, principalmente de pessoas mais jovens. “Nós realizamos a inauguração virtual no dia 29 de agosto e, para nossa surpresa, com o número de pessoas dispostas a colaborar com a ONG, em sua maioria por jovens. A pessoas dizem que um trabalho assim era muito necessário”. 

A Eternamente SOU está com endereço físico localizado no Canto dos Araçás, na Lagoa da Conceição. É possível se voluntariar pelo email eternamentesousc@gmail.com. Para quem quiser contribuir financeiramente com a ONG, existe um financiamento coletivo para doações mensais ou pontuais, as informação estão no site: https://eternamentesou.org/doe/.

Confira na íntegra a entrevista com Celso Rabetti, coordenador da Eternamente Sou em Santa Catarina:

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