Temática negra é abordada em filmes no FAM

Em sua última edição o festival de cinema trouxe obras e sessões especiais para  questões raciais

O FAM é um festival de cinema que ocorre anualmente em Florianópolis. O evento é considerado um dos mais importantes do país. Além de receber um público amplo durante os sete dias de sessões, o festival torna-se um ambiente de trocas de experiência e muito networking para os que produzem e os que assistem as produções. Em sua 23ª edição o evento trouxe novidades nas categorias e surpreendeu o público que já estava acostumado com seu formato tradicional.

Um dos destaques do festival foi o amplo espaço para discussão e mostra de filmes com questões raciais. No último dia de evento houve a sessão temática de cinema negro, com exibição de cinco filmes dentro desse tema. Um dos documentários em evidência foi “Revolução Silenciosa: 10 Anos de Cotas Raciais na UFSC”, que mostra detalhadamente a questão racial dentro da universidade, com falas importantes e um trabalho de historicidade minucioso, o filme foi exibido em mais de uma sessão. 

Mais quatro filmes foram exibidos nessa sessão especial. Além disso, o documentário musical ‘’My name is now’’, que conta a vida de uma das cantoras mais relevantes do cenário nacional, Elza Soares. O filme traz uma narrativa de histórias contadas a partir de versos recitados pela cantora e músicas de forte significado. O documentário faz parte da mostra de filmes convidados que foram premiados pelo voto popular durante o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro. 

Ainda nessa temática, outro  filme resultante de um trabalho de conclusão de curso é “Eu provavelmente morrerei anônimo”, um curta que traz como tema questões raciais. O filme conta a história de um comediante negro de stand up comedy, que, se prepara para subir ao palco e realizar seu show, mas quando o faz, acaba trazendo toda a realidade e questões sociais envolvendo a população negra. O curta é uma provocação e faz o telespectador refletir até aonde vai a graça? Ou melhor, quem está rindo desse enredo? 

Para Luiz Gustavo Laurindo, egresso do curso de cinema da Unisul e diretor do filme, o roteiro surgiu de um desconforto quanto à abordagem autodepreciativa de comediantes negros brasileiros, sobretudo os de stand up. “Num país profundamente racista, esse tipo de comédia é preocupante. O autoflagelo de pessoas negras em espaços ocupados majoritariamente por brancos de certa forma autoriza a risada dessas pessoas sobre desgraças diárias que elas jamais entenderão”.

O evento teve grande aceitação do público, que encheu as sessões durante a semana de programação. No total foram filmes de 20 países divididos em oito mostras competitivas. Esse ano duas novas categorias foram inseridas, Longas Ficção Mercosul e Work in progress (filmes que ainda não estão finalizados). Além da temática racial, o FAM trouxe para o público uma gama de obras de diversos gêneros, e movimentou a cidade com as atividades que ocorreram durante o festival.

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