“Ilha do Silício”: de praias exuberantes à referência nacional em tecnologia

Recentemente, a rede britânica BBC World denominou a cidade de Florianópolis como o “Vale do Silício Brasileiro”, em alusão ao Vale do Silício, localizado na Califórnia, nos Estados Unidos. Essa região é conhecida como um centro tecnológico mundial, onde nasceram diversas empresas do setor e onde estão renomadas universidades como Stanford, a segunda melhor universidade do mundo em 2020, segundo a QS Global World Ranking. São do Vale do Silício empresas como Apple, Google, Facebook, Microsoft, Yahoo, Intel e Adobe. Mas por que a Ilha da Magia agora é chamada de Ilha do Silício         

Nos últimos anos, a capital catarinense vem diversificando seus investimentos, para além do turismo, marca registrada da cidade. Investir no empreendedorismo e no cooperativismo foi a chave do sucesso. Incentivos fiscais, programas de cooperação nacional e internacional, a conexão entre soluções e grandes empresas, parcerias com universidades e um ambiente próspero para o desenvolvimento de novas ideias levaram a cidade a um novo patamar. Com cerca de 900 mil habitantes, a Grande Florianópolis se consolida como um hub tecnológico do país e deixa para trás grandes metrópoles como Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Curitiba. Só na região metropolitana, existem mais de 900 empresas de tecnologia que, juntas, faturaram R $9,9 bilhões em 2019, cerca de 28% da soma dos PIBs municipais, o que demonstra a real importância em se investir nesse setor. 

As startups são os “coringas” nesse crescimento 

Para entender melhor a contribuição das startups na consolidação de Florianópolis como um polo tecnológico, é preciso saber, primeiramente, o que de fato é uma startup. Esse modelo de empresa é fomentado pela inovação, criatividade e tecnologia. Os três pilares que sustentam o sucesso de uma startups são: um modelo de negócio inovador, escalável e flexível.

“As startups têm o perfil de buscarem soluções para os problemas da sociedade. São mais dinâmicas e rápidas do que uma empresa tradicional, então têm mais agilidade para ter novas ideias e tirá-las do papel, fazer mudanças ao longo do percurso, criando inovação de forma muito mais rápida”, afirma Gabriel Sant’Ana, Diretor Executivo da Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE).

A exemplo de startups de sucesso temos: Nubank, Ifood, Stone, 99 Pop, PicPay, entre outros. 

A “Ilha do Silício” possui menos de 1% da população brasileira, porém, concentra mais de 20% das startups de todo o país – atrás apenas de São Paulo, com 28%. O ambiente favorável para desenvolver esse modelo de negócio só é possível graças a uma rede de cooperação existente na capital, algumas da iniciativa pública, e outras privadas. Na esfera pública, a Associação Catarinense de Tecnologia (ACATE) cumpri o seu papel. Só na Grande Florianópolis, ela possui mais de 700 empresas associadas. A ACATE é pautada no cooperativismo e no conceito apelidado de give back – devolver pro ecossistema o que ele deu pra você. O desenvolvimento corporativo e a troca de experiências no mundo dos negócios podem ser realizados nos mais de quatro Centros de Inovações – ACATE (CIA) espalhados pela região. São eles: CIA São José (em Campinas), CIA Downtown (no centro de Floripa), CIA Primavera (na SC 401) e o CIA Sapiens Park (em Canasvieiras). 

Nesses espaços, a Associação conecta as startups às médias e grandes empresas (chamadas de corporates), ou seja, estabelece o elo entre o problema (gargalos das grandes empresas) e a solução (ideias inovadoras das startups). Essa iniciativa é feita por meio do programa LinkLab, que segundo o diretor executivo da Associação, é pioneiro no segmento.

“O LinkLab é um ecossistema de inovação e tecnologia que aproxima as corporates com as startups que possam acelerar o processo de inovação dessas empresas e, ao mesmo tempo, oferece às startups uma grande oportunidade de acelerar sua participação em grandes mercados”.

Após associadas, as startups podem encontrar no portfólio clientes como Ambev, Havan, Tigre, WEG, Grupo Koerich, Fort Atacadista, Unimed, Orbenk, Engie, Empresas Dimas e o próprio Governo de Santa Catarina. Somente no primeiro semestre de 2020, mais de 1,8 mil pessoas foram impactadas pelas ações da ACATE, como eventos e atendimentos a empreendedores. Todo esse ecossistema instalado aqui, rendeu à capital catarinense o título de segunda cidade mais empreendedora do país, segundo o estudo Índice de Cidades Empreendedoras, realizado pela Endeavor Brasil em 2017. 

Incentivos municipais fazem a diferença

Burocracia e alta carga tributária são os entraves para a abertura de qualquer negócio no Brasil. Visando atrair novos investimentos e se diferenciar do restante do país, a Câmara Municipal de Florianópolis aprovou a Lei Complementar 686/2020, que prevê benefícios fiscais para aqueles que desejam instalar e desenvolver sua startup no município. No Artigo 1º da Lei consta; “Fica o Poder Executivo autorizado a conceder incentivos fiscais às empresas de economia criativa enquadradas como startups ou empresas de inovação”. Dentre os diversos benefícios, se destacam: a isenção total do IPTU até o limite de cento e oitenta metros quadrados e a isenção de 50% no Imposto Sobre Serviço sobre Qualquer Natureza (ISSQN), o que representa uma economia considerável de capital no prazo de um ano, fator essencial no desenvolvimento inicial de qualquer empresa. 

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