“A nossa forma de consumo precisa ser modificada”

Entrevista com bióloga mostra os aspectos da produção e do consumo conscientes através da moda sustentável.

Crédito: @estiloverde_modasustentavel

Por trás das roupas que compramos existe uma série de processos e escolhas que, feitas incorretamente, podem causar forte impacto social e ambiental. Pensando em um contexto global, segundo a Fundação Ellen MacArthur, a cada segundo, um caminhão de lixo cheio de sobras de tecido é queimado ou descartado em aterros. Isso representa 500 bilhões de dólares jogados fora. Os resíduos químicos produzidos colaboram com a emissão de 1,2 bilhão de toneladas de gases estufa por ano.  

A moda sustentável é um conceito que vem questionando estes números e tentando ganhar espaço no mercado. Ela traz a possibilidade de produção e de consumo conscientes e defende o desenvolvimento de produtos que não agridem o meio ambiente.

O Fato&Versão conversou com Marina Petzen, bióloga e proprietária da loja Estilo Verde Moda Sustentável, localizada em Chapecó, SC e atende para todo o Brasil também. Envolvida em projetos que visam promover a consciência ambiental, Marina conta como a moda sustentável é realizada na prática. 

As práticas ambientais sempre estiveram presentes na sua vida?

Sim. Nasci no Rio Grande do Sul, morei no interior até os três anos. Boa parte da minha família ainda reside em propriedades rurais. Sou bióloga, formada em 2008. Desde então sempre atuei nas mais diversas áreas da minha formação e profissão – Educação, Gestão, Consultoria e Auditoria Ambiental.

Como surgiu a ideia de criar a Estilo Verde Moda Sustentável?

Em setembro de 2016, durante uma viagem de férias, conheci uma marca de moda sustentável dentro do aeroporto de Palmas, Tocantins. Me encantei inicialmente pelas estampas de fauna e flora e ao ver que as etiquetas eram de papel semente e boa parte dos tecidos provenientes da reciclagem de garrafa pet, fiquei realmente deslumbrada com as possibilidades sustentáveis no ramo da moda. Em janeiro do ano seguinte, fui desligada do emprego que eu trabalhava e imediatamente decidi empreender. Iniciei então muitas pesquisas e descobri que aquela marca de Tocantins era produzida em Santa Catarina, assim como outros fornecedores que ainda estão comigo.

Que tipo de produtos a sua loja vende? Você acompanha o processo de desenvolvimento ou certifica que eles estão colaborando com o meio ambiente?

Todos os produtos que trabalhamos na Estilo Verde estão alinhados com a sustentabilidade. Prezamos por matéria prima de baixo impacto ambiental e fornecedores que cumpram o seu papel de gerar impacto positivo na sociedade, sendo responsáveis e transparentes. Conheço as fábricas e locais de produção de boa parte deles pessoalmente. Outros através de boas conversas e materiais fornecidos. Temos produção própria e local de camisetas e ecobags – sacolas retornáveis e confeccionadas para substituir o uso de sacolas plásticas. Trabalhamos também com outros produtos que podem ser adquiridos em nossa loja física ou em nosso site.

Além da loja, você tem outros projetos?

Faço parte de vários coletivos e movimentos. Todos diretamente relacionados com o negócio e o propósito que desempenhamos através da Estilo Verde. Um deles é o Comitê local dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Tenho também um projeto permanente, junto a GENTV, chamado Quadro Sustentabilidade com Marina Petzen. Nele produzo conteúdo semanal com temáticas pertinentes e voltadas à área. Está disponível no nosso canal do YouTube. 

Quais dificuldades você enfrenta com a moda sustentável?  

Ainda encontro um pouco de resistência da comunidade no sentido de comprar algo que tem um pouco de valor agregado. O que define a compra ainda é o preço. Eu sinto uma mudança já significativa nesses três anos que estamos aí, mas ainda sim a questão do preço, do não fazer promoção ou liquidação, são dificuldades que encontramos no negócio. E claro, por ser um pequeno negócio assim como qualquer outro, carrega suas dificuldades. A sustentabilidade não é só ambiental, também é econômica. Outro aspecto é a questão de fornecedores. Nem tudo a gente tem próximo de nós, tudo envolve transporte, logística e investimento de estoque. 

O que você busca ainda realizar e deseja com a moda sustentável?

Desejamos inicialmente nos posicionar e nos fortalecer enquanto marca. Ainda neste ano iremos abrir uma segunda loja física em Erechim, Rio Grande do Sul. Desejo também que as pessoas cada vez mais percebam a importância da sustentabilidade em suas vidas. A nossa forma de consumo precisa ser freada e modificada para que possamos causar menos desequilíbrio nos recursos naturais. 

Kiara Silva
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