A vida de um brasileiro nos EUA durante a pandemia

Como uma família brasileira que hoje mora nos Estados Unidos, vem se adaptando durante a pandemia do Coronavírus.

Rodrigo ao lado da esposa e da filha.

Por conta da pandemia do Coronavírus pessoas de todos os lugares do mundo tiveram que se adaptar a outro modo de vida, para sobreviver. Não foi diferente para Rodrigo Costa, de 45 anos. O brasileiro que se mudou com a esposa e filha para a cidade de Stoneham, Massachusetts, nos Estados Unidos em março de 2015, conta que começaram o isolamento social por conta do coronavírus, dois meses antes da recomendação das autoridades de seu estado, tendo em vista o aumento de casos na cidade de Nova York. Rodrigo que trabalhava com aplicativo de ‘carona’, decidiu parar. Além da eliminação de contatos sociais, ele e sua família tomavam diversos cuidados de acordo com recomendações que liam a respeito, como a higienização de alimentos e embalagens, troca de roupas ao chegar em casa, além do uso de álcool em gel na sua residência e carro.

O brasileiro além de seu serviço no aplicativo de carona, tinha como trabalho principal pintura em construções, que também foram canceladas, entre os dias 08 de março até o dia 08 de maio. Nesse meio tempo fazia apenas serviços delivery, mas após receber o auxílio do governo federal, parou de fazer os serviços de aplicativos e passou a realizar apenas alguns serviços de pintura residencial, desde que não houvessem residentes durante seu trabalho. Sua esposa que trabalha com limpeza de residências, atendeu alguns clientes, mas teve uma redução em 80% em seu trabalho. Nas limpezas, fazia uso de máscara, luva e também sem a  presença de moradores. No entanto ainda revela que para se adaptarem e conseguirem um dinheiro a mais, começaram a fazer bolos gourmet e vender pelas mídias sociais. 

Sua filha ainda está no jardim de infância, então sua adaptação se deu de uma forma mais flexível. Ocorreu através de contatos online com a professora, a qual atende 4 alunos por vez no máximo, em um período de 45 minutos. “A professora utilizou 2 aplicativos onde ela podia monitorar a evolução do aluno e tempo que ele utilizava os apps de alfabetização e de matemática/geometria” conta o pai. Lá o ano letivo é do mês de setembro ao mês de maio. “As aulas presenciais ainda não voltaram, somente online. O governo sinaliza retorno para próximo período, mas nada oficial” revela Rodrigo.

O rapaz comenta que a chegada da pandemia, em um primeiro momento foi assustador para ele e sua família, por conta da falta de produtos nos mercados, muitos boatos, e ainda algumas aglomerações, pelo fato de na época ainda não existirem protocolos de segurança para o isolamento social. No entanto aproveitaram o momento para organizar a casa e fizeram uma limpeza ‘a moda japonesa’, “fizemos muitas atividades juntos, como culinária, jardinagem, jogos de família e leitura” expõe Rodrigo. Comenta que o primeiro mês de isolamento foi conforme orientação do governo, “buscamos muitas informações de profissionais de saúde, totalmente recluso em casa e quando precisávamos sair, ia apenas uma pessoa”. No entanto a família ia observando quais amigos e familiares estavam respeitando o isolamento de forma correta, logo no segundo mês continuaram mantendo o isolamento, mas começaram a ter aos poucos contato com essas pessoas e fazendo alguns serviços.

Rodrigo na montagem do Hospital de campanha em Boston.

Rodrigo conta que participou da montagem do hospital de campanha em Boston que foi montado no começo do mês de abril, no centro de convenções de Boston. Relata que foram 5 dias pintando os leitos, 12 horas por dia, no total de 10 profissionais. Sobre sua experiência reflete “Foi gratificante pois sabia que muitos sem teto e doentes iriam usufruir dessa imensa estrutura. Mas em alguns momentos triste, pois sabia que muitos não resistiram, e qualquer um que estava nesse projeto poderia estar lá”. O hospital possuía 1000 leitos, divididos em 50% para sem teto e 50% para doentes do Covid-19. No entanto felizmente teve ocupação apenas de 700 leitos, e já foi desmontado na semana do dia 26 de Maio.

Ainda expõe que a população tem recebido diversas ajudas nesse período. Entidades não governamentais como a comunidade local através de igrejas e centros de ajuda aos imigrantes, ajudaram através da doação de alimentos. O município deu o auxílio com alimentos e cartões com dinheiro. O estado através de seguro desemprego, em alguns casos com alimentos, e ainda famílias que tem crianças estudando em escolas públicas que recebem alimentação, no café da manha e almoço, podiam retirar alimentos na escola ou recebiam um cartão de débito pré fixo, no qual as famílias, podiam fazer compras somente de alimentos pré cadastrados no sistema. E o país ajudou com subsídio extra para quem aplicou seguro desemprego estadual, mais 2 meses com valor estipulado de acordo com o imposto de renda declarado.

As primeiras medidas do governo diante da pandemia, foram as escolas fechadas, depois serviços não essenciais, e o comércio essencial aberto em horários restritos e específicos, nas primeiras horas do dia eles colocam como prioridade idosos e deficientes. Rodrigo ainda conta que “antes do anúncio oficial, teve algumas orientações do governo de não abrir estabelecimentos sociais, alguns desrespeitaram a solicitação então, de forma oficial, o governo definiu mais rápido as orientações e punições”.

O agora estadunidense revela que o estado de Massachusetts, organizou uma reabertura de suas indústrias em 4 fases. A primeira fase, intitulada como “iniciar”, é a retomada de alguns estabelecimentos com restrições severas. A segunda fase, apelidada de “cautelosa”, vai incluir empresas com mais interações, mas ainda seguindo restrições e limites de capacidade. Na fase três, “vigilante” vai ser permitida a liberação de mais empresas, mas ainda com orientação. E a fase final chamada de “novo normal”, que só vai acontecer quando for desenvolvida uma vacina ou terapia para tratar efetivamente a Covid-19. No momento eles se encontram na terceira fase do planejamento. Se o número de casos aumentar a próxima fase não abre e terá mudanças nos protocolos, podendo até mesmo voltar para a fase anterior. E o uso de máscara continua sendo obrigatório.

Plano de retomada do estado de Massachusetts.

Rodrigo comenta que ele e a esposa estão começando a retomar planos para o futuro. “Nossos planos familiares, é de estarmos mais unidos, termos mais tempo para nós”. Agora no ponto de vista financeiro é “tornar a atividade ‘consumista’ menor, pois vimos que não precisamos de muita coisa que temos e de outras que tínhamos desejo”. E com a ideia de talvez iniciar um pequeno negócio no ramo da alimentação.

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