Aumenta a procura por alimentos orgânicos na pandemia

 Os agricultores e vendedores contam suas experiências durante esse período 

Os alimentos orgânicos estão cada vez mais presentes na vida do consumidor e ganharam ainda mais força nessa época de pandemia. Segundo a pesquisa do o Conselho Brasileiro da Produção Orgânica e Sustentável (Organis), organização sem fins lucrativos que reúne produtores e indústria do setor, o consumo aumentou nas primeiras semanas de março, teve uma queda no final daquele mês, por causa da baixa no estoque, e se manteve vez de então. 

A agricultora Edna Bilk, 34 anos, participa da Associação Produtores e Agricultores Orgânicos e Coloniais Chapadão do Lageado (APAOC). Ela conta que a procura pelos os produtos aumentaram. Essa tendência foi observada nas três cidades em que trabalham, Chapadão do Lageado, Ituporanga e Rio do Sul. Todo sábado os agricultores da associação realizam uma feira em Rio do Sul, são cinco produtores, de folhosas, legumes, verduras, raízes, frutas e produtos coloniais, tais como queijos, bolachas, doces e sempre trazem novas variedades em cada época do ano. Com a pandemia, para não deixar de entregar os alimentos, eles tiveram que redobrar os cuidados e fazer algumas mudanças, “Nós do grupo resolvemos desde março  em não mais expor produtos em bancas, como fazíamos na feira a mais ou menos 5 anos ”, conta Edna. Agora, o cliente em vez de olhar na banca e escolher o item, ele faz sua encomenda via Whatsapp e retira no local, seguindo as normas e cuidados. 

A feira antes da pandemia. Foto: Edna Bilk
Como está funcionando a feira no momento atual. Foto: Edna Bilk
A entrega dos pedidos feitos pelos clientes via Whatsapp. Foto: Edna Bilk

Além disso, Edna conta que participa de um projeto com o Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar (LACAF/UFSC), em Florianópolis Esse projeto criou as Células de Consumidores Responsáveis, que promovem a venda de cestas de alimentos orgânicos através de pedidos antecipados. Dessa forma, há uma articulação entre grupos de consumidores e grupos de agricultores orgânicos certificados pela Rede Ecovida de Agroecologia. O pagamento é mensal e as cestas são entregues semanalmente. “Cada semana do ciclo, é enviado um cardápio para saber o que vão receber. Porém, é bem diferente de Rio do Sul, e eles não escolhem os produtos, enviamos raízes, folhosas, frutas, legumes, grãos, chás, temperos cada semana, daquilo que temos em cada propriedade”, explica a agricultora. 

Esse projeto iniciou em novembro de 2017. Atualmente há cerca de 400 consumidores e 54 famílias agricultoras envolvidas. As famílias fornecem mais de 7 toneladas de alimentos por mês. No projeto participam cinco grupos de agricultores familiares certificados pela Rede Ecovida de Agroecologia: Amanacy (Alfredo Wagner), Associação Agrodea (Imbuia, Leoberto Leal, Vidal Ramos e Ituporanga), Associação APAOC (Chapadão do Lageado), Grupo Associada (Major Gercino, Angelina, Leoberto Leal e Nova Trento) e Grupo Flor do Fruto (Biguaçu).

Cestas do projeto Células de Consumidores Responsáveis Floripa. Foto: Edna Bilk

A loja Leve Horta (@levehorta), em Rio do Sul, também faz essa ponte entre o agricultor e o consumidor, “A gente compra desses produtores, coloca aqui na loja e revende, são todos produtores certificados”, explica Ana Paula Luciano, 28 anos, administradora da loja. A loja foi aberta em junho de 2019. Mas Ana conta que trabalham com alimentos orgânicos desde 2017, “Certificamos nosso sítio para podermos produzir orgânicos e ficamos até junho de 2019 plantando, colhendo e entregando de casa em casa”, diz Ana. 

Apesar de trabalharem com o delivery há bastante tempo, as primeiras semanas de março, surpreenderam com o aumento no número de entregas, “Quando o pessoal começou a ficar em casa e começaram a querer fazer estoque de comida e se preparar, aqui para gente foi bem corrido”, conta Ana. Segundo a comerciante, hoje, a situação já normalizou, “Ainda temos bastante entrega, mas é o fluxo mais normal, que a gente dá conta, não é mais aquele ritmo insano”, diz Ana. A comerciante acredita que o aumento ocorreu porque as pessoas estão mais em casa. Assim, acabam procurando alimentos frescos para cozinhar e, também, a população está procurando ser mais saudável nesse período, se alimentando melhor. 

O movimento nas primeiras semana de março. Foto: Ana Paula Luciano

A loja funciona de segunda à sábado, cumprindo as medidas de segurança recomendas pelo Ministério da Saúde, com uso de máscaras, luvas e álcool gel.

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1 comentário Adicione o seu

  1. João José disse:

    Parabéns pela matéria e também aos produtores/comerciantes, sem esquecer quem está no final da linha e faz valer a pena os esforços de quem produz e nos garante mais qualidade no alimento que consumimos todos os dias.

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