Crônica #12: Da janela do meu quarto

Ao me levantar nesta manhã, abri a janela do meu quarto e vi o sol iluminando a Pedra Branca, vi as ruas movimentadas, o fluxo constante de carros, as pessoas andando pela calçada. Observei tudo pela janela do meu quarto, mais um dia comum, como todos os outros.

Por ela, não vi nada do que tanto falam os jornais: não vi covas sendo abertas e pessoas sendo rejeitadas em hospitais em Manaus. Não vi ninguém morrendo sozinho em sua casa e tendo um enterro solitário, como em São Paulo. Não enxerguei caminhões frigoríficos passando com corpos, por falta de espaço nos necrotérios, como em Nova York ou Milão. 

Mas as pessoas me alertam, assustadas: desde a reabertura do comércio em Santa Catarina, os casos têm subido constantemente. Dizem que em cinco dias, Blumenau teve um aumento de 71% no número de infectados. 

Um dias desses, nem sei mais qual, vi que os campeonatos de futebol na Europa estão sendo cancelados, Holanda e França já fizeram isso. Não haverá gritos de “é campeão” nesses países. Um pecado. 

Mas como pode? É muito estranho, não? Falam que no Brasil hoje, 29 de maio de 2020, são 450.079  casos confirmados pelas secretarias de saúde, com 27.276  mortos. Como que não vi um só desses casos pela janela do meu quarto? Afinal, por ela enxergo tudo. 

Estado de pandemia? A OMS se apavorou à toa, só pode. Ou deve ser coisa da China isso aí. Sabia que lá já está tudo normal? Deve ser só um exagero das pessoas porque da janela do meu quarto, de onde vejo a Pedra Branca, nada disso aconteceu.

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