Catarinense que viajou a trabalho para China segue morando no navio

Junior está há três meses sem pisar em terra firme  

Por Chayene Ribeiro

Junior Antunes chegou na China em 15 de janeiro deste ano.  Ainda nas primeiras semanas os passageiros do navio onde ele trabalha falavam sobre o que acontecia no país, os rumores sobre o coronavírus, mas nada muito preocupante. Na semana seguinte, os casos dispararam rapidamente e, então, no dia 26 de janeiro, a companhia que o contratou resolveu cancelar os próximos cruzeiros. Ficaram todos assustados e apreensivos porque não sabiam ao certo o que estava acontecendo e menos ainda sobre a gravidade da situação.

O morador do Ribeirão da Ilha, sul de Florianópolis, se mudou temporariamente para trabalhar no navio que faz o itinerário China – Japão. Os contratos duram de cinco a oito meses e, quando encerram, a companhia tem a obrigação de mandar o funcionário de volta para o país de origem. No navio onde Júnior está, a maior parte da tripulação é composta por chineses e italianos. Por serem países nos quais o vírus causou muitas mortes, a companhia decidiu estender os contratos para manter os funcionários em segurança.

Para muitos brasileiros, aconteceu a mesma coisa, com os aeroportos fechados eles ficaram impossibilitados de retornar. Junior está morando no navio há três meses, que permanece parado e sem passageiros, fazendo apenas manutenção e treinamentos. Não houve casos registrados de passageiros com Covid-19  no navio.

O tratamento recebido pela companhia, segundo ele, “é excelente”. Nesta foto, Junior comenta nas redes sociais que está há  50 dias dentro do navio e, apesar de não saber como será os próximos meses, ele comemora os dias ensolarados.

A companhia também decidiu ampliar o espaço dos funcionários no navio, permitindo que cada um se mude para uma cabine individual (antes, eles dividiam a cabine), porque há chances de um isolamento total sem que possam sair de seus quartos.

A saudade de casa é grande, saudade da família, dos amigos, da comida brasileira e até do quarto. Mas agradece muito pela hospitalidade e os amigos que conheceu entre a China e Japão, gente que – de alguma forma  – virou sua família. 

Ele ressalta a importância do isolamento social, entende que muitas pessoas precisam sair para trabalhar, mas recomenda aos que podem ficar em casa, que não quebrem a quarentena. “É muito grave tudo o que está acontecendo e o mínimo que podemos fazer é usar máscaras, higienizar sempre as mãos e os braços e, claro, permanecer em casa”, diz ele. 

Trecho de seu relato em vídeo:

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