A experiência de um sobrevivente da Covid-19

Ireno Marcio Silva ficou 14 dias internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) de um renomado hospital de São Paulo. Em entrevista ao Fato&Versão, Márcio Silva conta a evolução dos sintomas da doença e tudo que ele viveu dentro de um hospital de referência no tratamento da Covid-19. 

O estado de São Paulo possui o maior número de contaminados pelo novo coronavírus no Brasil. Entre os mais de 24 mil infectados no estado está o designer Ireno Márcio Silva, 41 anos, morador da capital paulista, que ficou 14 dias internado na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI). Em entrevista ao Fato&Versão, o designer conta a evolução dos sintomas da doença e tudo que ele viveu dentro do hospital.

Márcio começou a apresentar alguns sintomas leves na segunda semana de março. Uma forte dor nas costas fez com que ele procurasse a emergência do Hospital Nove de Julho, na região central de São Paulo. Até então, nem passava na cabeça a possibilidade de ser algo relacionado ao coronavírus, mas ele tinha a consciência que aquela dor fortíssima não era “normal” para alguém da idade dele. Por isso, a decisão de procurar um atendimento médico, mesmo sabendo da situação dos hospitais nesse momento de pandemia. No Nove de Julho, foi feita uma bateria de exames mas nada que levasse à suspeita de Covid-19, até porque lá, não foi realizado nenhum teste para detectar a doença. Márcio foi liberado do hospital e instruído a tomar uma série de medicamentos para controlar a dor.

No decorrer dos dias, ele percebeu a evolução dos sintomas. Logo após as dores nas costas, teve paladar e olfato prejudicados, até que não sentia mais o gosto e o cheiro dos alimentos.  Sem paladar, passou a comer muito pouco ou quase nada durante alguns dias. Ele acredita que isso tenha enfraquecido ainda mais o seu sistema imunológico, dando mais espaço para o coronavírus atuar no corpo. Veio a febre de quase 40 graus e  a falta de ar. “Aquilo me derrubou”, conta Márcio. 

Com todos esses sintomas aparentes, imediatamente procurou o pronto socorro de um dos melhores hospitais da rede privada no tratamento da Covid-19 em São Paulo, o hospital Samaritano. Muito debilitado, rapidamente os médicos decidiram interná-lo e submetê-lo a exames, dentre eles, o teste de coronavírus. Depois de dois dias, o resultado ficou pronto. Deu positivo. Ele e a família ficaram surpresos, mas otimistas. Até porque Márcio não fazia parte do grupo de risco da doença. Todos que tiveram contato com ele nos dias que antecederam à internação foram submetidos ao teste do coronavírus, mas nenhum deles deu positivo. 

Imagem cedida pelo paciente

O designer ficou por volta de três dias internado na enfermaria do hospital e lá ele ainda mantinha contato diário com a família, por meio de chamadas de vídeo. Mas logo após o resultado do teste e o agravamento dos sintomas, como a falta de ar, os médicos resolveram transferi-lo para a UTI e entuba-lo. Quando foi avisado que seria transferido, ficou calmo porque apostava num tratamento mais especializado da doença. Diz que ouvir tudo o que enfermeiras e médicos comentavam e que estava consciente apesar do coma induzido. Após ficar 14 dias entre a vida e a morte, com intensos cuidados médicos, a realização de diversos exames e a utilização de fortes medicações, Márcio se recuperou e foi liberado do hospital no dia 3 de abril, com recomendações de isolamento social e a continuação de algumas medicações em casa. Ao sair do hospital, ele foi recepcionado por todos os enfermeiros e médicos que cuidaram dele durante o tratamento. O vídeo de Márcio deixando o hospital viralizou na internet.

Vídeo da homenagem feita pela equipe médica do hospital no momento da alta do paciente

Márcio conta que foi submetido à utilização da polêmica hidroxicloroquina, aliada a um antibiótico. Ele diz que nao sabe, nem os médicos, qual medicação foi decisiva para a recuperação. Segundo Márcio, pode ter sido o efeito individual de cada uma ou até a combinação delas. O caso dele será repassado aos pesquisadores para análise.

Sobre a contaminação, acredita que foi no trabalho. Conta que trabalha com clientes de alto poder aquisitivos e que viajam por vários paises. “São clientes que possuem negócios no mundo todo e que viajam constantemente para fora do país”. Então, acredita que foi o contato com essas pessoas que acabou sendo contaminado. Atualmente, Márcio segue em isolamento social em casa junto com o marido e não apresenta mais sintomas da doença. “Eu renasci”.

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