Crônica #5: Quem será o Rei Arthur da nossa história?

Mais um dia de pandemia. Mais um texto escrito sem muita esperança. Cada letra colocada aqui é o resquício de um sentimento de felicidade. Cada vírgula é uma pausa e serve de porta para um turbilhão de pensamentos pessimistas sobre os tempos sombrios do futuro. Hoje, sexta-feira, 24 de abril, batemos mais um recorde. O recorde diário de mortes.

O brasileiro só quer ter sua vida normal novamente. Vai demorar quanto tempo para entendermos que não há mais uma vida normal? O brasileiro quer poder ir no shopping. O brasileiro quer andar de ônibus. O brasileiro quer falar que a vida é maravilhosa enquanto caminha nos centro lotados de pessoas, onde você esbarra em alguém a cada 20 metros por puro divertimento de andar nas ruas. Ri, pede desculpas, continua a caminhar por puro divertimento. 

Essa deixou de ser nossa realidade. Dura, amedrontadora, mas é a nossa realidade. Insistem em querer que o número de pessoas curadas seja divulgado. Mais do que os números de mortes. Procuram a felicidade em um amontoado de números que não existem. É mais fácil culpar qualquer outra coisa do que aceitar a realidade. 

São cinco etapas que uma pessoa passa quando está em luto. O brasileiro ainda está numa transição entre a primeira e a segunda. A negação e a raiva. Acredito que estamos levando mais tempo para passar para os outros por questões culturais. Pessoas difíceis de se conquistar o pensamento, um nome bonito para “cabeça dura”. Para entender melhor esse pensamento, basta fazer uma analogia. A cabeça do brasileiro é a pedra, o achismo excalibur. Mas ainda não sei quem será o Rei Arthur desta história.. as pessoas próximos morrendo ou número de mortes diária divulgado.

Os brasileiros, ao mesmo tempo que negam, têm raiva daqueles que já aceitaram. Colocam como injustiçados, que querem a vida normal. Como um filho que acaba de perder a mãe precocemente em um acidente de carro, o brasileiro continua querendo ter o  prazer de um bom café da manhã, preparado com todo o amor e carinho junto a sorrisos de bom dia. Mas já passamos dessa fase. 

Raciocinar é algo que poucos conseguem após um acidente trágico. Pior que acidente, o ocorrido foi avisado. Mas poucos foram aqueles que deram ouvidos. Era como se fosse mais uma piada de um programa de comédia que passa de noite, na televisão. Apresentado por uma pessoa já sem muita credibilidade na mídia. Foi ignorado e descartado a ideia de que tudo isso iria acontecer.

Se arrependimento matasse… nesse caso quem mata é o vírus. 

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