Esportes paralisados ao redor do mundo geram prejuízos incalculáveis

O aumento nos números de casos de Covid-19  provocou uma paralisação geral dos eventos esportivos, na mesma proporção das paralisações ocorridas nas duas guerras mundiais.

Desde a Segunda Guerra não se via algo do gênero. A frase – que há um mês soaria exagerada –  tem sido repetida por atletas, treinadores, dirigentes e empresários. No dia 11 de março, quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou estado de pandemia, a ficha começou a cair para o mundo esportivo. Antes da data, porém, os esportes já vinham sendo afetados. O roteiro é sempre o mesmo: detecção de perigo na realização do evento, fechamento dos portões para o público e, por fim, o adiamento. 

O ciclo, que tem como objetivo ajudar a conter o propagação da doença, já impactou as principais competições esportivas do mundo: Fórmula 1, ligas americanas, campeonatos de tênis, o futebol na sua totalidade. Além das modalidades olímpicas, que usariam este período para definir as últimas vagas para os Jogos de Tóquio, que também foram adiados para 2021, assim como a Copa América e a Eurocopa.

A última paralisação deste tamanho foi na Segunda Guerra Mundial, parando o esporte no mundo de 1939 a 1945. De lá para cá, algumas paralisações menores ocorreram, em sua maioria por greve dos jogadores, como a greve da NFL ( Liga de Futebol americano) em 1987. 

Os efeitos destas paralisações são enormes. Um estudo do economista Scott Kaplan, para o jornal USToday, mostra  que o cancelamento da temporada da NBA pode causar um dano de US$ 2 bilhões ao mercado. Prejuízo ainda maior no próximo ano, com a renegociação dos salários dos jogadores.

A KPMG, empresa de consultoria holandesa, realizou um estudo que prevê prejuízo de 4.5 bilhões de euros (aproximadamente R$ 25 bilhões) nas cinco principais ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Itália, Alemanha e França) com a suspensão dos campeonatos. A perda se deve muito pelos direitos televisivos, que não seriam pagos em sua totalidade aos clubes. Venda de ingressos também causaria um dano significativo. 

Um exemplo é o Barcelona,  no qual seu presidente, Josep Maria Bartomeu, afirmou que o clube arrecada cerca de 6 milhões de euros por partida no Camp Nou. O clube teria garantido pelo menos seis jogos em casa no restante da temporada, podendo aumentar de acordo com o desempenho do time na Champions League.

Clubes no Brasil também passam pela dificuldade orçamentária e buscam uma forma de se manterem saudáveis. A redução salarial e as férias coletivas para os jogadores, são ações que começam  a ser colocados na mesa. Negociações começaram nas últimas semanas, com um impasse entre jogadores, clubes e CBF. 

Mesmo com todas as dificuldades e preocupações para o futuro, grande parte das equipes se posicionou a favor das paralisações. Promovendo ações em conjunto a torcedores, dando recomendações para ficarem em casa e tomarem cuidado. Em Santa Catarina, no combate ao novo Coronavírus, clubes como Avaí e Joinville começam a disponibilizar seus estádios e centros de treinamento para as prefeituras. 

Os clubes também cancelaram os treinamentos e liberaram os atletas, como conta Diogo Santos, atleta do Sub-20 do Fluminense, ao Fato & Versão. “Fomos liberados por conta do Coronavírus, por tempo indeterminado”. Ele fala ainda que o clube lhe deu várias recomendações, como evitar aglomerações, lavar bem as mão, evitar cumprimentos com abraços e apertos de mãos. E também para não ficar parado, fazer exercícios em casa.

 No Brasil, antes da paralisação geral, houve protestos antes das partidas, com os atletas entrando de máscara nos jogos. Atletas conhecidos admitiram estar com o vírus – entre eles jogadores da NBA, como o Kevin Durant, jogadores de futebol como o Paulo Dybala, da Juventus, ou da natação com o medalhista olímpico sul-africano Cameron van der Burgh – isso acendeu o alerta vermelho no esporte. 

A volta das competições está programada para o mês que vem, mas com a doença ainda se desenvolvendo e aumentando o número de casos, as confederações já assumem o aumento no tempo das paralisações.

Publicidade

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s