Professora da Unisul testa positivo para a Covid-19

Após volta da Conferência Nacional da Mulher Advogada, Cláudia e mais quatro colegas catarinenses dão resultado positivo para o novo coronavírus.

O Coronavírus já é considerado uma pandemia, ou seja, tem transmissão em escala mundial e tem se espalhado entre as pessoas em uma velocidade alarmante. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), até hoje (24) o número de casos confirmados já passa de 382.000, e mais de 16.500 mortes em 166 países e territórios. O Brasil conta até agora com 1.980 casos confirmados, em 26 estados e no Distrito Federal. 

Professora Cláudia Prudêncio (foto de perfil de rede social).

Entre os que testaram positivo, temos Cláudia da Silva Prudencio, 44 anos, moradora de Florianópolis, advogada, presidente da Caixa de Assistência dos Advogados de Santa Catarina e professora da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) há 12 anos. Cláudia conta que dia 06 de março participou da Conferência Nacional da Mulher Advogada, que ocorreu na cidade de Fortaleza, no Ceará, onde provavelmente foi contaminada com o novo coronavírus. Embora os sintomas da doença só tenham começado a aparecer dez dias depois, ou seja, no dia 16, a advogada teve a confirmação de que foi nesta viagem que contraiu o coronavírus depois que mais quatro colegas catarinenses que estavam na viagem também terem testado positivo para o Covid-19.

A professora relata que, na segunda-feira (16), seus sintomas começaram a aparecer como se fosse um início de gripe, com dores no corpo e uma tosse seca constante. Contou que foi checar o celular durante o café da manhã e viu a notícia de um contaminado na Conferência que tinha participado. “Levei um susto e vi que meus sintomas eram parecidos com os que vinham sendo noticiados”, relata Cláudia. Ela conta que ligou para um laboratório particular que faz testagem para Coronavirus para realizar o exame e, desde aquele momento, segue isolada.

Cláudia realizou seus exames em sua casa na segunda-feira (16) no período da manhã, e recebeu o resultado quinta-feira (19): positivo para Covid-19. A professora diz que não teve instrução nenhuma antes ou depois do resultado. “Você fica quatro dias dentro de casa apavorada, vendo a doença progredir e simplesmente a frase é – fica em casa”. O único órgão que tem entrado em contato com ela é o Departamento de Epidemiologia, para saber como e onde a paciente se contaminou, segundo ela, sem, se importar em querer saber como ela se sente.

A rotina de isolamento da advogada não tem sido tão difícil pelo fato de ter uma casa confortável e com vários cômodos, o que facilita o isolamento, para não contaminar as suas filhas e o marido. Sobre as pessoas que não têm a mesma condição, ela reflete: “Como conseguirão ficar isolados? Como conseguirão não contaminar os demais moradores da casa?”. 

A recomendação da professora para a população, neste momento, é para não tentar achar culpado para a situação. “O vírus é invisível, está por todos os lugares, inclusive naqueles que sequer imaginamos”. Ainda relata que a pessoa infectada não sabe que o tem e aconselha o isolamento ao sentir qualquer sintoma. E a fazer o exame. “Insistam no exame. Cuidem da alimentação. Hoje a única cura para o coronavírus é o isolamento”, defende a professora. Apesar de ter sentido os sintomas de uma gripe muito forte, com tosse, dores no corpo e dor no peito, hoje ela diz que já se sente bem melhor e que, com o devido cuidado e repouso, logo vai superar essa doença.

Abaixo a entrevista realizada nesta segunda-feira (23) com a professora Cláudia da Silva Prudencio:

FATO & VERSÃO – Você está no grupo de risco?

Professora Cláudia – Não.

FATO & VERSÃO – Você imagina onde que possa ter contraído o vírus? 

Professora Cláudia – Sim, peguei na Conferência Nacional da Mulher Advogada, que ocorreu entre os dias 4 a 6 de março na cidade de Fortaleza. Eu e mais quatro colegas advogadas catarinenses fomos diagnósticas. Todas participaram da Conferência. 

FATO & VERSÃO – Quando você começou a sentir os primeiros sintomas?

Professora Cláudia – No dia 16, numa segunda-feira, acordei cedo para trabalhar e senti muita dor no corpo, dor de quem vai ficar gripada. E uma tosse seca constante. Quando fui tomar meu café, antes de sair, olhei meu celular e nos grupos de WhatsApp das Mulheres advogadas veio a notícia que no domingo, dia 15, havia sido diagnosticado o primeiro caso de coronavírus na Conferência. Levei um susto, vi que meus sintomas eram parecidos com os que vinham sendo noticiados. Imediatamente chamei a empresa de laboratório aqui em casa. Eles vieram realizar o exame por volta das 10h da manhã do mesmo dia. Fiz o exame e já fiquei isolada em casa, continuo até hoje. 

FATO & VERSÃO – Quais foram os sintomas?

Professora Cláudia – Sintomas de uma gripe, mas muito forte. Não deixa você levantar. Tosse forte e insuportável. Muita dor no corpo e no peito.  Não tive febre e nem falta de ar. 

FATO & VERSÃO – Os sintomas continuaram os mesmos ou teve mudança no decorrer do tempo? 

Professora Cláudia – Sim, tiveram. Na segunda eu tinha muita dor no corpo e cansaço, na terça muita tosse e depois dor no peito. 

FATO & VERSÃO – Onde e como foi o atendimento do seu exame? 

Professora Cláudia – Foi feito na minha casa mesmo. O laboratório veio na minha casa. 

FATO & VERSÃO -Demorou quanto tempo para ficar pronto o resultado? 

Professora Claúdia – Eu fiz na segunda cedo, dia 16, e recebi o resultado dia 19, às 12h29. 

FATO & VERSÃO – Quais foram as instruções dadas antes e depois que saiu o resultado? 

Professora Cláudia – Este é o grande problema, não existe orientação. Você sente os sintomas numa segunda, fica quatro dias dentro de casa apavorada, vendo a doença progredir e simplesmente a frase é – fica em casa. Não há uma orientação médica. Nada. Ou eu contrato um médico particular ou eu tenho que sair na rua para usar o sistema do SUS. 

FATO & VERSÃO – Tem algum órgão público entrando em contato com você, para saber como está o decorrer do vírus ou dos sintomas? 

Professora Cláudia – Sim, o departamento de epidemiologia. Mas eles só querem saber onde é como você pegou. Não existe um atendimento realizado por um médico mesmo que por telefone. 

FATO & VERSÃO – Você chegou a entrar em contato com alguém da Unisul depois dos sintomas aparecerem? 

Professora Cláudia – Eu senti os primeiros sintomas na segunda cedo, dia 16. Assim que o laboratório saiu da minha casa, por volta das 10h, encaminhei o prontuário médico para a coordenação da Unisul, na pessoa da Professora Virgínia que, prontamente me deu todo apoio.

FATO & VERSÃO – Como está funcionando a sua rotina de isolamento nessa quarentena?

Professora Cláudia – Bom, graças a Deus eu tenho uma casa confortável com vários cômodos e vários banheiros o que facilita a não contaminação para meu marido e minhas filhas. Fico pensando naqueles que tem uma casa se um cômodo só. Como conseguirão ficarem isolados? Como conseguirão não contaminarem os demais moradores da casa? 

FATO & VERSÃO – Você tem alguma recomendação para dar para a população?

Professora Cláudia – Sim. Já fiz isso nas minhas redes sociais. Não tentem acharem culpados. O vírus é invisível. Está por todos os lugares, inclusive naqueles que sequer imaginamos. A pessoa infectada não sabe que o tem. Ela só imagina que está infectada quando o sintoma aparece. Então, se sentirem qualquer sintoma de gripe como tosse, coriza, febre e dor no corpo, se isole imediatamente. Insistam no exame. Cuidem da alimentação. Cuidem da higienização. Hoje a única cura para o coronavírus é o isolamento.

Para encerrar, deixamos um depoimento de Cláudia postado em suas redes sócias:

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