Em Florianópolis, a oportunidade de refazer os planos e a vida

A crise monetária tem feito diversas pessoas saírem de seu lugar de origem para ir em busca de emprego, moradia e uma situação de vida melhor em outros países ou até mesmo em outros continentes muito distintos de onde moram. José Carlos Lugo Rojas, um venezuelano de 32 anos, chegou ao Brasil em 2017 com a esposa Mayari del Carmen Moya Suber. Deixar a Venezuela, onde trabalhava como assessor imobiliário, tinha amigos e familiares é muito doloroso e nada fácil para José Carlos. Foi, contudo, a única alternativa para sair da crise que vem devastando seu país e encontrar um refúgio para sobreviver e conseguir recursos suficientes para trazer ao Brasil o restante de sua família. 

Como a maioria dos refugiados, a vinda para outro país muitas vezes é feita de forma precária e ilegal, em carros com mais pessoas do que o permitido por lei ou em embarcações clandestinas, colocando assim em risco a vida deles e de diversas outras pessoas ao seu redor. Além das dificuldades enfrentadas na vinda para o país de refúgio, o imigrante ainda tem que passar por barreiras com a língua e dificuldades de encontrar moradia e trabalho devido à falta de confiança da população. 

Em território brasileiro, José foi orientado a ir direto para Boa Vista (Roraima) por ser o estado mais próximo do seu desembarque e por ser um povo que recebe com simpatia os imigrantes e refugiados. Não foi bem assim, contudo, que aconteceu. José e sua família sofreram muito preconceito por serem venezuelanos, não estarem empregados, nem possuírem moradia própria na cidade. Nessas condições, só suportaram ficar em Boa Vista por dois meses. 

Encontro com o imigrante José Carlos Lugo Rojas: “Primeiros  passos em busca de um sonho”. Foto: Darlan Alvez

Relatos como o da família Rojas mostram que a xenofobia é um problema social na sociedade brasileira. Em conversa com um dos poucos amigos que fez em Boa Vista, José então foi orientado a vir para Florianópolis, onde haveria diversas instituições que acolhem e ajudam os imigrantes recém chegados ao Brasil ou em situação de rua. 

Ele se encantou com a cidade, que considera muito parecida com a que morava na Venezuela. Na capital de Santa Catarina, José e sua mulher percebem que um de seus problemas é a dificuldade de falar português. Conhecem então a Pastoral do Migrante, que oferece aulas de português básico gratuitas para todos os estrangeiros que a procuram. 

Há um ano cursando aulas de português na pastoral, ele e a esposa foram criando confiança para conseguir se soltar, fazer amizades em Florianópolis e até mesmo abrir o seu próprio negócio na cidade. Hoje, trabalham como confeiteiros para pequenas festas, única fonte de renda da família. Como não consegue validar seus diplomas no território brasileiro, o casal pretende fazer uma faculdade no país onde tudo, até o estudo, exige um reinício. 

Arthur Hoffmann
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