Por trás das câmeras

Nossa vivência teve como objetivo interagir com imigrantes haitianos, bolivianos e venezuelanos, que recém chegaram ao Brasil, amparados pelo programa de imigrantes e refugiados. Desta forma, nosso intuito é mostrar as barreiras e dificuldades enfrentadas por todos eles até a vinda ao Brasil, e depois da chegada. 

Segundo o Comitê Nacional para Refugiados (Conare), em 2017 foram reconhecidos 587 refugiados no Brasil. Outros 86.007 ainda esperam ser reconhecidos. Violência, coerção e violação de direitos humanos historicamente criam movimentos migratórios. Hoje, venezuelanos, sírios, haitianos, congoleses e palestinos representam os mais expressivos fluxos de entrada de imigrantes deslocados forçados no país. Dos 115,9 mil imigrantes que trabalhavam formalmente no Brasil em 2016, 14,3 mil, ou 12% deles, estavam em Santa Catarina. O Estado só perde para São Paulo (43,1 mil) em número de estrangeiros empregados.

Nossa vivência foi realizada na Pastoral do Migrante com apoio de voluntários, além de nossos professores. Tivemos um primeiro encontro um pouco assustador, já que ninguém se conhecia e chegamos com muitas máquinas fotográficas e refletores, causando um certo estresse aos imigrantes que estavam lá apenas para ter uma aula de português com a professora  Natália. Conversamos um pouco com ela, que nos sugeriu uma dinâmica que consistia em realizarmos uma atividade onde poderíamos fazer uma breve entrevista com eles de uma forma mais discreta e menos invasiva. 

Nessa atividade tinham 3 perguntas-chave que desencadeariam toda nossa “entrevista” naquela noite. As perguntas eram: “Você tem algum plano para o futuro?” “O que você gosta de fazer no tempo livre?” “ Qual seu sonho?” Com essas perguntas conseguimos ganhar um pouco da confiança dos imigrantes presentes naquela noite, para poder, depois, realizar uma entrevista. 

Primeiramente, entrevistei um venezuelano chamado José que já morava no Brasil fazia 1 ano e 3 meses. Ele me relatou que ao chegar no Brasil, uma das principais dificuldades enfrentadas por ele e sua esposa foi a da língua, já que muitos não entendem espanhol. 

Segundo a Nações Unidas,a situação econômica e política na Venezuela fez com que cerca de 3,7 milhões de venezuelanos deixassem suas casas e viajassem para o Brasil. 

Voltamos uma semana depois na Pastoral do Migrante, e desta vez mais preparados para ter uma conversa formal com os imigrantes que lá estavam. Porém, muitos dos que estavam na semana anterior não foram para este encontro, já que era em uma quarta-feira e a aula deles é somente segunda. Isto nos entristeceu um pouco, pois acabou criando um bloqueio entre nós e os imigrantes ali presentes. Conversando com colegas pude perceber que todos tiveram a sensação de tempo perdido. 

Porém, para não perder a viagem e o lanche que já estava preparado, decidimos junto com os nossos professores, que iríamos conversar com os pessoal ali presente, e tentar fazer uma gravação dos relatos deles. 

Meu grupo não conseguiu gravar, pois nossa entrevistada era muito tímida e não queria gravar a voz ,e também ela teve que sair muito cedo. Sendo assim, mudamos para outro grupo, onde conseguimos conversar com um estudante de jornalismo que estava pela primeira vez na Pastoral junto com sua mãe ( ambos são venezuelanos). 

Alfredo nos relata que a situação na Venezuela está uma calamidade. A atual crise na Venezuela é uma crise socioeconômica e política que a população tem sofrido desde o final do governo de Hugo Chávez, adentrando o atual governo de Nicolás Maduro. A queda do Produto interno bruto (PIB) nacional e per capita, entre 2013 e 2017, tem sido mais grave do que a dos Estados Unidos durante a Grande Depressão, ou da Rússia, Cuba e Albânia após a dissolução da União Soviética. Durante o ano de 2016, por exemplo, a inflação foi de 800% e a economia contraiu-se em 18,6%, A Taxa de homicídios em 2015 foi de 90 por 100.000 habitantes, segundo o Observatório Venezuelano de Violência. 

O nosso último encontro realizou-se na quarta-feira, dia 29/05. Fomos com a intenção de fazer uma gravação em áudio visual onde os imigrantes nos contariam um pouco sobre sua vinda para o Brasil, e sobre o que deixaram em seu país de origem. Fiquei encarregado de filmar o making of de todas e entrevista e pude sentir na pele todo o sofrimento  e angústia que muitos deles passam ao vir para o Brasil, deixando de lado sua família, amigos, trabalho, para tentar ter uma vida mais digna em outro país. 

Um dos relatos que me chamou mais a atenção foi de uma haitiana que falou sobre não conseguir trazer suas duas filhas ao Brasil, mesmo enviando bastante dinheiro para o Haiti. Segundo ela, o governo haitiano tem dificultado bastante a vinda para o Brasil, criando barreiras para que não saiam do país, sem contar toda a papelada de imigração que ela tem que preencher para que a filhas venham morar com ela. Achei o projeto muito interessante, pois pude vivenciar de perto todo o sofrimento que os imigrantes passam ao chegar em um território que não sabem falar a língua ou sem qualquer moradia. Tudo o que vi me  fez refletir sobre como eles são esquecidos pela sociedade e que devemos dar mais atenção a essa população, pois são pessoas como nós, e muitos deles são muito carinhosos cultos e carismáticos.

Arthur Hoffmann

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