A realidade além da mídia

Com o intuito de mostrar a realidade de vida dos imigrantes e as dificuldades enfrentadas durante todo esse processo de migração através de uma entrevista, realizamos a vivência desse semestre. Em 10 anos, o número de imigrantes aumentou em 160% no Brasil, segundo a Polícia Federal. Tendo em vista esse dado, é possível perceber que o Brasil tem sido um dos países alvo da imigração, e é necessário conscientizar as pessoas sobre essa realidade e ajudá-los da melhor maneira possível.  

Somente no ano de 2018, segundo o IBGE, chegaram em torno de 10 mil imigrantes venezuelanos no Brasil. Tudo começou na Pastoral do Migrante, lugar que tem como ação a oferta gratuita, efetivada por voluntários, de aulas de português para os estrangeiros recém chegados, auxiliando o contato com a nova língua, onde conhecemos venezuelanos, haitianos e até mesmo peruanos. Cada um com sua história, mas todos com o mesmo propósito: aprender a língua portuguesa. No começo, foi um pouco complicado estabelecer contato, principalmente com os haitianos, por causa da língua, mas no final das contas todos os alunos conseguiram estabelecer algum tipo de conversa.​ 

O primeiro encontro foi apenas para conhecê-los, para isso a professora Natália estabeleceu uma dinâmica em grupos com algumas perguntas básicas como “Qual seu nome?”, “Quantos anos você tem?” para facilitar o diálogo. A turma se dividiu entre as mesas que ali na sala estavam estabelecidas de maneira aleatória. Acabei conversando com uma venezuelana chamada Mayari que já estava no Brasil há 1 ano e meio junto com o seu marido. O contato com ela acabou sendo mais tranquilo por causa do português mais avançado, já que a mesma já estava no país há bastante tempo. Contou que na Venezuela era formada em engenharia, mas que não conseguiu validar seu diploma aqui no Brasil, ainda.

De acordo uma pesquisa feita pela ONU, mais de 30% dos refugiados no Brasil possuem ensino superior, mas a validação é muito complicada e possui um custo elevado. Depois disso, fui conversar com um haitiano cujo nome não lembro, pois era francês e muito difícil de pronunciar. O contato com esse haitiano foi bastante complicado, ele estava no Brasil fazia menos de um mês e não entendia quase nada de português, mas como o mesmo dava aulas de inglês no Haiti e eu sou fluente na língua, consegui me comunicar bastante e deu tudo certo. Após essa dinâmica, fizemos um mapa mental com os sonhos de cada um e apresentamos para a turma. No final da aula nos reunimos, tiramos uma foto e fomos para casa. 

​O segundo encontro já foi mais descontraído, fomos sem câmeras e sem luzes, em um dia que eles não tiveram aula de português, foram só para nos encontrar, conversar e lanchar. Natália estava lá só para auxiliar, e nós fomos orientando os alunos que estavam lá presentes. Senti que eles estavam mais à vontade e o diálogo fluiu de maneira natural. Nos apresentamos e depois nos dividimos entre as mesas novamente. Dessa vez, conversei com uma peruana chamada Evelyn que estava no Brasil há 3 meses com sua filha de 8 anos.

O português da filha era um pouco mais fluente, pois a mesma já estava na escola e lá tinha contato com a língua diariamente. Então, as perguntas que Evelyn não entendia, a sua filha traduzia e facilitava o diálogo. Ela veio pro Brasil, pois sua mãe já morava aqui, o que acabou facilitando o processo de adaptação, pois já tinham inclusive onde morar (não é muito comum no processo de imigração). Foi uma conversa tranquila, contou bastante coisa sobre como era sua vida no Peru e disse que seus planos para o futuro são: dar uma qualidade de vida melhor para sua filha e entrar na faculdade. Como a conversa fluiu de maneira natural, eu queria entrevistar a mesma no próximo encontro, mas ela não compareceu.

O terceiro encontro foi na última quarta-feira (29/05) e fomos já com o intuito de gravar a entrevista. Infelizmente, não apareceram tantas pessoas como esperávamos, mas deu para fazer a entrevista tranquilamente. Como a peruana com quem conversei no último encontro não compareceu, tive que conversar com outra pessoa para realizar entrevista. Meu grupo era constituído por mim, Flávio e Arthur. Conversamos durante uns 10 minutos com o Alfredo, um venezuelano de 26 anos que estava no Brasil há apenas 3 semanas. Estava no último semestre de Jornalismo na Venezuela e seu plano era vir para o Brasil após terminar, mas a situação no país estava cada dia mais difícil, forçando as pessoas a migrar para outro lugar, pois não dava mais para viver naquele estado. Ou seja, o mesmo não finalizou os seus estudos e seu plano para o futuro é tentar retomar aqui no Brasil.

Após uma breve conversa, já tivemos que gravar a entrevista. Flávio foi o entrevistador e eu estava na direção. A entrevista durou em torno de uns 8 minutos e ele contou um pouco mais sobre a sua história. Sua mãe e seus irmãos já estavam no Brasil há um tempo e ele veio só agora. Contou sobre seus últimos meses na Venezuela, que teve que deixar seu cachorro para trás, pois era inviável trazê-lo, falou que os supermercados já não tinham comida e se tinham, era muito cara. Contou também que já arranjou emprego aqui no Brasil no Angeloni do Santa Mônica como empacotador. Já tem planos para o futuro e não pretende voltar para Venezuela. No final da entrevista, Alfredo leu um texto que escreveu sobre esse processo de imigração dizendo que é muito difícil deixar para trás tudo o que você construiu durante os anos, emocionando todos que estavam ali presentes.

Marina Breis
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